domingo, 25 de julho de 2010

A velha confunsao de sempre

Estava pensando agora neste exato momento o quanto, eu talvez precisasse voltar a freqüentar a psicóloga. Faz um mes que nao vou ate la. Mas para ser bem sincera tudo aquilo nao estava me adiantando de nada. Ate conseguia tirar alguns demonios aqui de dentro e sair de la um pouco mais leve, mas nos instantes que se seguiam eu logo voltava a ser esse turbilhao de emoçoes que eu sou. Esse descontrole entre razao e emoção. Pois bem, se la eu nao fazia nada alem de divagar a respeito de minha semana pra reduzir tudo em uma frase final, por que nao faze-lo por aqui, como aquele metodo de platao que consiste em ir fazendo perguntas atras de perguntas, do qual nao me recordo o nome, afinal, minha mente com essa mania de guardar apenas tudo que nao me é util, fez o favor de descartar certas coisas que me seriam muito mais valiozas do que toda essa merda que passa por aqui. Me sinto assombrada. Quando fecho os olhos ouço passos aqui dentro da minha cabeça. Pessoas indo e vindo. Todos aqueles. Que comecem as perguntas.

Por que me sinto tao obrigada a estar em contato com os outros: me doi pensar por um instante qualquer que eu possa ser esquecida. doi estar sozinha comigo mesma. doi saber que tantas pessoas neste exato momento estao compartilhando momentos inesqueciveis, vivendo, e eu aqui, sozinha, odiando cada parte minha. doi me odiar. Pensei que esse final de semana em que minha mae se ausentou da cidade seria um bom momento para aproveitar a liberdade de ter a casa apenas para mim. Ficar sozinha, sim, mas nao o tempo todo. Esperei e como esperei uma visita qualquer, afinal avisei a todos que minha casa estaria vazia por estes dias. Nada. Ninguem apareceu. Na verdade, esperava apenas uma, no maximo duas pessoas, uma vez que o resto estava ocupado com seus namorados. Como esperei por ele, me fazendo uma daquelas surpresas, tocando o interfone e dizendo, sou eu... Trazendo alguns filmes para vermos, e depois jogarmos conversa fora falando de coisas sem a menor importancia, como faziamos antes, antes de eu me mostrar como sou, antes de eu afasta-lo com minha insanidade. Como me sinto culpada por ter deixado a porta do meu armario se abrir dessa forma e derramar tudo o que eu ali tentava esconder a 7 chaves. Mas, nao. Desde a primeira vez em que ele me deu abertura para falar sobre toda essa merda que dentro de mim vive, senti como se todas as vezes em que eu quisesse, eu poderia lhe atirar meu lixo. Mas o que antes era apenas um desabafo se tornou algo repetitivo, chato, enjoativo, e agora, uma parte dele me odeia, eu sei. Uma parte dele nao me suporta mais, por isso nao me procura, me evita. Ontem eu lhe escrevi um email. Para falar a verdade eu nao esperava resposta alguma, pelo menos nao tao rapida. Porem, ele respondeu e como era de se esperar foi racional, e seco. Disse verdades, de forma tao logica, dura, inflexivel... Mas eu engoli, aceitei, e sei, ele esta certo. Mas nao sei o que fazer quanto a isto. Hoje é domingo, e ainda estou sozinha. E sera inevitavel deixar de esperar que ele me venha. Mas a noite vira, e ele nao, e a este ponto ja estarei enloquecendo, como ontem. Pensando nas cartelas de comprimidos na cozinha, em quantas devo tomar para morrer ou nao. Pensando em apenas chamar a atenção. Pensando nele me encontrando caida no chao, e sentir que me perdeu, entao, so assim chorar o valor que nao me deu. Mas dai vem na minha cabeça, que como repetidas vezes ele me disse, que por ele nao demonstrar com palavras nao significa que eu nao lhe significo nada. Entao tento aceitar que ele é assim, da mesma forma que eu assim sou, uma louca. E ele, tambem um louco, mas um louco, um louco racional, mas nao menos louco que eu. Por Deus, sera um castigo tudo isso... Antes ele nada me significava, eu apenas o achava ridiculo. E agora essa obsessao. Deve ser aquela velha estoria do objeto proibido. Quanto mais ele me evita, mais eu o quero. E ele nao vira, e eu continuarei me matando pensando por que diabos eu tinha que errar com ele tambem.

Novas pessoas entram em minha vida. E eu logo começo a esperar demais delas, mas com receio de que façam o que outras ja me fizeram. Coisas como nao ter palavra, prometer uma coisa fazer outra. E nao obstante, acontece exatamente o que eu previa. Para ser mais categorica, me identifiquei com uma colega do trabalho e combinamos de sair na sexta, mas ela descumprido com o combinado. Entao, vem toda essa questao de que pessoas sao livres, é cada um por si, e ninguem deixa de ser uma boa pessoa por ter errado com uma vez ou outra. E tento me afastar dessa necessidade de cobrar atenção dos outros. Tento simplesmente ignorar tudo isso, e agir como se jamais, nenhuma dessas pessoas me magoo. Que jamais pensamentos dolorosos passaram por mim como um furacao, derrubando tudo em mim. Sim, acho que vai ser melhor assim, pra todos e pra mim. Nunca foi tao necessario guardar as coisas quietinhas aqui dentro de mim. Ou apenas coloca-las aqui. Em uma pagina branca e fria da internet. Ja é o bastante.

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