terça-feira, 27 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
domingo, 25 de julho de 2010
So um esboço
Voce ja sentiu frio? Daqueles que trazem enormes arrepios, fazendo os pelos do seu corpo inteiro ficarem em pé?Eu sinto quase o tempo todo. O mesmo deve ocorrer com os porcos espinho, eu creio. O frio é exterior a eles. Nem sempre se ouriçam pra se defender. Mas por que as vezes é impossível deixar de sentir calafrios.É um ato involuntário.Por isso eles precisam um dos outros para se aquecer.
A velha confunsao de sempre
Estava pensando agora neste exato momento o quanto, eu talvez precisasse voltar a freqüentar a psicóloga. Faz um mes que nao vou ate la. Mas para ser bem sincera tudo aquilo nao estava me adiantando de nada. Ate conseguia tirar alguns demonios aqui de dentro e sair de la um pouco mais leve, mas nos instantes que se seguiam eu logo voltava a ser esse turbilhao de emoçoes que eu sou. Esse descontrole entre razao e emoção. Pois bem, se la eu nao fazia nada alem de divagar a respeito de minha semana pra reduzir tudo em uma frase final, por que nao faze-lo por aqui, como aquele metodo de platao que consiste em ir fazendo perguntas atras de perguntas, do qual nao me recordo o nome, afinal, minha mente com essa mania de guardar apenas tudo que nao me é util, fez o favor de descartar certas coisas que me seriam muito mais valiozas do que toda essa merda que passa por aqui. Me sinto assombrada. Quando fecho os olhos ouço passos aqui dentro da minha cabeça. Pessoas indo e vindo. Todos aqueles. Que comecem as perguntas.
Por que me sinto tao obrigada a estar em contato com os outros: me doi pensar por um instante qualquer que eu possa ser esquecida. doi estar sozinha comigo mesma. doi saber que tantas pessoas neste exato momento estao compartilhando momentos inesqueciveis, vivendo, e eu aqui, sozinha, odiando cada parte minha. doi me odiar. Pensei que esse final de semana em que minha mae se ausentou da cidade seria um bom momento para aproveitar a liberdade de ter a casa apenas para mim. Ficar sozinha, sim, mas nao o tempo todo. Esperei e como esperei uma visita qualquer, afinal avisei a todos que minha casa estaria vazia por estes dias. Nada. Ninguem apareceu. Na verdade, esperava apenas uma, no maximo duas pessoas, uma vez que o resto estava ocupado com seus namorados. Como esperei por ele, me fazendo uma daquelas surpresas, tocando o interfone e dizendo, sou eu... Trazendo alguns filmes para vermos, e depois jogarmos conversa fora falando de coisas sem a menor importancia, como faziamos antes, antes de eu me mostrar como sou, antes de eu afasta-lo com minha insanidade. Como me sinto culpada por ter deixado a porta do meu armario se abrir dessa forma e derramar tudo o que eu ali tentava esconder a 7 chaves. Mas, nao. Desde a primeira vez em que ele me deu abertura para falar sobre toda essa merda que dentro de mim vive, senti como se todas as vezes em que eu quisesse, eu poderia lhe atirar meu lixo. Mas o que antes era apenas um desabafo se tornou algo repetitivo, chato, enjoativo, e agora, uma parte dele me odeia, eu sei. Uma parte dele nao me suporta mais, por isso nao me procura, me evita. Ontem eu lhe escrevi um email. Para falar a verdade eu nao esperava resposta alguma, pelo menos nao tao rapida. Porem, ele respondeu e como era de se esperar foi racional, e seco. Disse verdades, de forma tao logica, dura, inflexivel... Mas eu engoli, aceitei, e sei, ele esta certo. Mas nao sei o que fazer quanto a isto. Hoje é domingo, e ainda estou sozinha. E sera inevitavel deixar de esperar que ele me venha. Mas a noite vira, e ele nao, e a este ponto ja estarei enloquecendo, como ontem. Pensando nas cartelas de comprimidos na cozinha, em quantas devo tomar para morrer ou nao. Pensando em apenas chamar a atenção. Pensando nele me encontrando caida no chao, e sentir que me perdeu, entao, so assim chorar o valor que nao me deu. Mas dai vem na minha cabeça, que como repetidas vezes ele me disse, que por ele nao demonstrar com palavras nao significa que eu nao lhe significo nada. Entao tento aceitar que ele é assim, da mesma forma que eu assim sou, uma louca. E ele, tambem um louco, mas um louco, um louco racional, mas nao menos louco que eu. Por Deus, sera um castigo tudo isso... Antes ele nada me significava, eu apenas o achava ridiculo. E agora essa obsessao. Deve ser aquela velha estoria do objeto proibido. Quanto mais ele me evita, mais eu o quero. E ele nao vira, e eu continuarei me matando pensando por que diabos eu tinha que errar com ele tambem.
Novas pessoas entram em minha vida. E eu logo começo a esperar demais delas, mas com receio de que façam o que outras ja me fizeram. Coisas como nao ter palavra, prometer uma coisa fazer outra. E nao obstante, acontece exatamente o que eu previa. Para ser mais categorica, me identifiquei com uma colega do trabalho e combinamos de sair na sexta, mas ela descumprido com o combinado. Entao, vem toda essa questao de que pessoas sao livres, é cada um por si, e ninguem deixa de ser uma boa pessoa por ter errado com uma vez ou outra. E tento me afastar dessa necessidade de cobrar atenção dos outros. Tento simplesmente ignorar tudo isso, e agir como se jamais, nenhuma dessas pessoas me magoo. Que jamais pensamentos dolorosos passaram por mim como um furacao, derrubando tudo em mim. Sim, acho que vai ser melhor assim, pra todos e pra mim. Nunca foi tao necessario guardar as coisas quietinhas aqui dentro de mim. Ou apenas coloca-las aqui. Em uma pagina branca e fria da internet. Ja é o bastante.
Para ler toda as vezes em que o mundo desabar
Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto... plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!"
William Shakespeare
sábado, 24 de julho de 2010
Os sofrimentos do Jovem Werther. (Trechos)
"(...)Tudo neste mundo leva às mesmas mesquinharias; e aquele que, para agradar aos
outros, e não por paixão ou necessidade pessoal, se esgota no trabalho para ganhar dinheiro,
honrarias, ou o que quer que seja, aquele que agir desse modo, digam o que disserem: um louco."
outros, e não por paixão ou necessidade pessoal, se esgota no trabalho para ganhar dinheiro,
honrarias, ou o que quer que seja, aquele que agir desse modo, digam o que disserem: um louco."
"- Por que é que os homens - gritei - não podem falar de uma coisa sem logo declarar: "Isto é
insensato aquilo é razoável, aqueloutro é bom, isso aí é mau".? De que servem todas essas
palavras? Você já conseguiu, graças a elas, penetrar as circunstâncias ocultas de uma ação? Sabe
destrinçar com rigorosa certeza as causas que a produzem, que a tornaram inevitável? Se assim
fosse, não enunciaria com tanta rapidez os seus julgamentos.
Alberto replicou-me:
- Você há de concordar comigo que certas ações são sempre criminosas, qualquer que seja o seu
móvel.
Dei de ombros e acrescentei:
- Todavia, meu caro, ainda nesse ponto há exceções- É verdade que o roubo é um crime; mas o
homem que se torna ladrão para salvar-se e salvar os seus de morrer de fome merece a compaixão ou o castigo? Quem atirará a primeira pedra no esposo que, numa explosão de cólera justa, mata a esposa infiel e o infame sedutor; na jovem que, num momento de vertigem, se abandona à ebriedade irresistível do amor? Nossos próprios juízes, esses pedantes de coração gelado, deixarse-iam comover e seriam capazes de suspender o julgamento.
- Oh! essa gente razoável! - exclamei eu, sorrindo. - Paixão! Embriaguez! Loucura! E vocês se
conservam tão calmos, tão indiferentes, vocês, os homens da moral! Esmurram o bebado, repelem o louco, cheios - de asco e passam adiante, como o sacrificador, agradeeus,
como o fariseu, por não haver feito vocês um desses desgraçados!. . . Tenho as minhas paixões
roçaram sem loucura, e disso não me arrependo, porque só erguei a compreender, numa certa
medida em todos os tempos, sempre foram tratados , o ébrios e como loucos os homens
extraordinários que realizaram grandes coisas, as coisas que pareciam impossíveis ... Mas, ainda na vida ordinária, nada mais tolerável do que a todo momento ouvir gritar, sempre que um homem pratica uma ação intrépida, nobre e invista: "Esse homem está bebado! É um louco...Que vergonha, ó todos vocês que vivem em jejum! Que vergonha, ó homens sensatos!
Ainda as suas quimeras! - disse Alberto. - Você exagera tudo! Desta vez, sem contradição possível,você o enganou-se, pelo menos em comparar o suicídio, que é o assunto em foco, com as grandes ações, quando não se pode considerá-lo senão como uma fraqueza. Decerto, é muito mais fácil morrer do que suportar com constância uma vida de tormentos.
Estive a ponto de estourar, porque não há argumento que tanto me faça perder a cabeça como um insignificante lugar-comum que me citam no momento em que falo com toda a alma. Entretanto, contive-me, cansado de ouvir essa banalidade, que já me aborreceu por mais de uma vez; mas respondi com alguma vivacidade:
- Você chama a isso fraqueza? Peço-lhe, não se deixe levar pelas aparencias! Um povo que geme sob o jugo de um tirano, você ousará acusá-lo de fraqueza se Ele explode e rompe, afinal, as suas cadeias? 0 homem que, tomado de espanto diante da sua casa incendiada, apela para todas as suas forças e transporta facilmente cargas que, de sangue frio, mal poderia empurrar; estoutro que, no auge do furor que lhe cause uma ofensa, se mede com seis adversários e vence-os, você dirá que são fracos? Muito bem, meu amigo, se um esforço considerável é uma prova de força, por que um esforço alucinado, febricitante, seria o contrário?
Alberto encarou-me e disse:
- Não se aborreça, mas os exemplos que você acaba de citar não me parecem adequados ao caso.
- Não importa - respondi eu; - já me censuraram mais de uma vez de ter um modo de raciocinar
que orça quase sempre pelo disparate. Vejamos, então, se de outra maneira poderemos fazer idéia daquilo que se passa no espírito de um homem, quando resolve deitar fora o fardo, de ordinário agradável, da vida, porque só podemos falar de sentimentos que nós entendemos bem.
- A natureza humana - prossegui - e limitada: ela suporta a alegria, a tristeza, a dor, até certo ponto; se o ultrapassar, sucumbirá. A questão não é saber, pois, se um homem é forte ou fraco, mas se pode aturar a medida de sofrimento, moral ou físico, não importa, que lhe é imposta. Neste caso, acho tão absurdo dizer que uni homem é covarde por haver dado cabo da própria vida, como seria absurdo chamar de covarde o que corre de uma febre maligna.
- Isso e um paradoxo, um verdadeiro paradoxo! exclamou Alberto.
Repliquei-lhe:
- Não tanto como você supõe. Você há de convir que nos chamamos doença mortal a que esgota o organismo de tal modo, que as forças ficam em parte consumidas e em parte incapazes de agir; assim, o organismo não poderá mais reerguer-se, e por uma reação favorável, restabelecer o curso ordinário da vida ... Pois bem, meu amigo, apliquemos esta verificação ao espírito. Considere quanto o espírito do homem é limitado e como as idéias nele se fixam até que, atingindo o grau da paixão, lhe retiram completamente a calma, a faculdade de refletir, e o levam à perdição total. Não adianta que o homem razoável e de sangue frio se compenetre da ,situação do desgraçado e o exorte; seria o mesmo que o homem robusto, junto do leito de um enfermo, tentar transmitir-lhe uma parcela, mínima que seja, do seu vigor."
Goethe
Arames farpados
Ando embriagada. Louca. Receosa. Apavorada. Com medo. Medo das pessoas. E ao mesmo tempo tentando decifra-las de uma forma logica como se fossem problemas matematicos daqueles mais extensos e cheios de icognitas. E todos a minha volta me assustam. Daqueles que ha muito tempo conheçoo ate aqueles que acabo de conhecer. Fico me perguntando quando serei surpreendida por essas pessoas. Quando elas iram me magoar. Por que estao me magoando. Por que nao me ligam. Por que tem uma porra de uma vida alem de mim. Por que apenas eu me preocupo em tentar entender todas essas besteiras. Por que eu acabei por magoar pessoas sem ter a minima itenção. Acabei por acabar com todas as boas impressos que ele ja teve a meu respeito. Por que entreguei minha loucura em praça publica. E nao ha pra onde fugir. E sempre serei assim tao louca e confusa. Mesmo que eu encontre o maior amor do mundo. Mesmo que eu tenha tudo que eu sempre quis. Entao, passarei a querer outras coisas. Coisas impossiveis de se ter, so por que tenho que querer algo, tenho que estar insatisfeita, tenho que acreditar que eu nao sou feliz como os outros sao. Penso no suicidio varias vezes por dia. Mas nao posso. Coragem eu tenho. Mas ha pessoas nesse mundo que se quebrariam demais pelo simples fato de um suicidio ser algo muito marcante. Sangrento. E eu amo demais essas pessoas para deixar que elas fiquem marcadas por algo tao doloroso. Entao, nao, nao irei me matar, nao fisicamente, embora por dentro eu morra a cada pensamento insano que me corroi a alma ao extremo. E meu maior problema talvez seja essa carencia. Essa necessidade constante de ter alguem por quem esperar. Esperar uma ligação, uma visita, um sinal qualquer que seja. Uma prova, de que eu relamente existo e que minha vida nao é uma ilusao. Por que eu falo tanto. Por que meu Deus. Por que digo coisas ridiculas e vulgares, sendo que aqui dentro nada disso é real. Sendo que aqui dentro sou apenas... dor. Queria eu conseguir tirar todo esse mar de angustias aqui de dentro de mim e coloca-las aqui, pra sempre. Queria eu explicar o que eu estou sentindo agora, senao que meu peito doi e a respiração pesa em meus pulmoes. Ah como é dificil viver.
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